Os dias foram passando devagar. Eu mal saía da sala de aula no colégio,
só saía para ir para casa, onde eu ficava desde então. Parei de ir a festas,
pois me traumatizou um pouco desde a ultima...
Enfim, sábado. Eu sabia que não seria tão bom rever o oceano, mas era
um dos lugares mais bonitos e o único lugar ‘a altura dela.
Após ela me mandar o endereço e o numero direitinho, fui buscá-la às
16 em ponto. Ela estava com um vestido branco quase transparente (que caiu
muito bem em seu corpo, por sinal), que parecia uma saída de praia.
Como sua casa era perto do Farol da Barra, fomos a pé. Estávamos até
nos divertindo, conversando sobre como o Gerard Way merecia ficar com o Frank
Iero (participantes da banda My Chemical Romance). Ela gostava de muitas bandas
que eu gostava.
Quando chegamos, percebemos que a praia estava cheia, mas mesmo assim
conseguimos um lugar no meio de tanta gente.
- O dia está ótimo - Melissa se espreguiçou e tirou seu vestido. Não consegui
concentrar-me direito no que ela disse depois, olhando para suas curvas. - O
que foi?
- N-Nada - falei entre gaguejos. Tirei minha camisa, hesitando.
Depressa, resolvi cair no mar, antes que eu ficasse completamente louco.
Percebi que ela não se preocupou muito em sua aparência, e nem quis
tomar sol, como as outras meninas que eu conhecia. Ela não parecia se importar
com aquele biquíni, nem em tomar sol. Melissa era diferente, e eu gostava disso
nela.
Ela logo pulou na água comigo.
- Como você agüenta? Isso aqui está um gelo! Uau! - Ela reclamou, e eu
ri.
- Pensei que você não tinha essas frescuras. - Provoquei.
- E não tenho! Mas a culpa não é minha se o mar está quase me matando
de frio.
Pensei um tempo, e joguei água na cara dela.
- Babaca! - Ela jogou água em mim também.
Nadei para longe, e ela me seguiu, rindo. Decidi então.
- O ultimo a chegar ao barco verde e branco vai carregar o outro na
volta! - Gritei, nadando o mais rápido possível, mas ela logo me alcançou.
Ela chegou em primeiro. Não pensei que a desastrada poderia ser tão rápida
quando quisesse.
- Okay, você venceu a batalha, mas não venceu a guerra! - Falei. - O
que acha de dar uma subida rápida no barco? Ninguém está olhando... Topa?
Ela assentiu, com um sorriso um tanto perverso. Ri e me apoiei no
barco.
Logo que subi, percebi o cheiro de cerveja que tanto me enjoava. Como
Melissa teve problemas para subir, por ser baixinha e fraquinha demais, tive
que ajudar a praga. Mas, quando me apoiei para ajudá-la a subir, o barco virou
e nós dois caímos juntos.
- Você realmente não sabe fazer nada sozinha, não é, praga? - Ri,
enquanto a segurava fortemente pela cintura para ela não acabar se afogando. - Até
quando vou ser seu herói?
Ela riu.
- Não sei... Talvez até para sempre. - E ficou vermelha. - Do jeito
que sou...
Sorri, e olhei para a imensidão azul na minha frente.
- Eu não costumo vir para a praia, isso me traz umas lembranças ruins.
- Soltei.
- Lembranças? Sobre o que?
- Meu pai gostava de vir comigo nessa praia. Era muito bom.
- E ele...
- Morreu. Faz alguns anos.
- Ah... Desculpe-me...
- Pare de falar ‘Desculpe-me’ todas as vezes que falo algo. - Sorri, e
ela compreendeu a piada interna. - Idiota desastrada.
- Babaca grosso. - Ela riu.
A beijei.
- Eu... Eu gosto de você, Melissa. - Admiti, desviando o olhar.
Ela segurou meu rosto, me fazendo olhá-la. Mesmo estando sorrindo, ela
estava bem vermelhinha.
- Eu também gosto de você.
E eu a carreguei de volta a areia.
E eu a carreguei de volta a areia.
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